segunda-feira, 9 de maio de 2011

Conversas de salão de beleza,Do Casamento,Do Ciúmes,Vida de comercial de TV,Do Cinema,Etecéteramente,Honestidade,Gírias e Palavrões E “Por quê?” e Porque Escrevo.

Tô afim de mudar os ares deste blog, de não mais tratá-lo como diário ou ensaios poéticos precários, mais ainda assim usá-lo como um suspiro escrito na atmosfera- já que qualquer um pode encontrá-lo.


Conversas de salão de beleza


Quase sempre vou ao mesmo salão, fica perto de minha casa, a cabeleireira e sua filha manicure, trabalham bem. Sempre pensei em usar as coisas que ouço de ambas e as clientes de algum jeito. Só que antes percebi que gosto delas pelo belíssimo senso-comum e não é papinho de gente metido à cineasta. É verdade mesmo. Desta vez falavam da situação em alguma novela (que não me recordo) em que o personagem tinha vergonha de sua mãe faxineira, e engataram todas elas numa discussão, (menos eu- que queria só escutar), que novela é bom porque mostra a realidade. Elas têm sotaque, parece que do Pernambuco e isto torna tudo mais legal, a mãe dizia “ Aquilo ali é tudo verdade mesmo”. Eu; se falasse qualquer coisa, pareceria esnobe, do tipo “ Não gente, TV não é realidade e bla bla”; Olhavam para mim esperando opiniões, como se fosse minha vez numa rodada de jogos de cartas.
Sempre quando vou lá, a cabeleireira destaca minha juventude e repete que meu cabelo não precisa de hidratação e de nada (ela não sabe ser capitalista não?). Aí ela disse algo de que tirei mais proveito: “Quando tinha a sua idade, tinha muito medo de envelhecer, mas o fato é que gosto mais de mim, agora.” Desejei o mesmo. Sua filha participa: “Pois eu tenho medo é de morrer”. Tive vontade de filosofar “Como disse Epicuro ‘quando existimos, não existe a morte, e quando existe a morte, não existimos mais’”. Mas discorreram sobre o assunto dizendo então que se devia “apruveitiar” a vida.
Falaram também de jovens que bebem e fumam, intercalando com conselhos para eu não fazê-lo.
Falaram do caso da modelo que foi jogada de um prédio (sei lá, to mal informada, nem to sabendo que o Osama morreu). A manicure  penso que já entediada comigo, me pergunta O que eu achava. Respondi neutra que era triste mesmo. A outra me perguntou se eu namorava, Ao responder que não, disse “ É isso mesmo, minha fia, pensa nos teus estudos, teu dinheiro que homi é só probrema.” É que o irmão dela foi lá, uns instantes antes pra contar que assinara os papéis da separação. Então ela continuou: “Se for pra separar logo ou ficar com traiança, nem entre nessa.” Eu só sorri. Mas tive vontade de dialogar sobre ter medo de casar, porque tenho horror a ser comum...


Do Casamento


...e tenho mesmo, sempre acho que quem casa cria uma redoma de normalidade em si, Pode ser a pessoa mais original, diferente, quando casa fica “comum” demais, Parece que se desvira, o que é mais atraente, seu diferencial, fica apenas um halo e o resto mais pertinente... Entende? O que é mais atraente na pessoa parece segredo e a normalidade, mais intensa. Cruzes. O pior de tudo é esse negócio de ser fiel, Penso também que desejar que o outro seja fiel é muita vaidade...

Do Ciúmes


Pensando sempre a partir de: MIM. Toda vez que pensei que meu companheiro de então, viesse a me trair, a coisa saía mais ou menos neste tom: “Só se ele for louco, melhor que eu não existe, mais bonita, mais inteligente, mais tudo :P e depois os que os outros pensariam?” Quando eu pensava na possibilidade de ser fiel, a razão era mais por economizar meus flertes por aí. De certo também que tive paixões longas e namoros curtos.
Dizendo isto, sei que não fico nada atraente e quem quer que seja, vai me querer bem longe... Mas eu nem vou me explicar, tudo que eu disser ainda pode ser usado contra mim.


Vida de comercial de TV


Ainda hoje, Conversando com minha irmã, não senso-comum (Thanks God) Detectamos que dificilmente nos sentimos realizados, Como pano de fundo, a TV tava ligada (eu uso a TV igual criança com biscoito recheado, come só o recheio e larga o resto, O recheio pra mim são os comerciais, gosto de analisá-los e acho mais divertido, quando volta a programação troco de canal) Pois bem, Falávamos que os casados por cumprirem o padrão, sentem alívio, mas sempre sentem que falta  algo (fontes seguras), que é um apartamento bom, o carro do ano, etc... E o solteiro, que provavelmente viaja bastante, curte baladas ou assiste à seriados, quer ser eventualmente como a mulher que dá batidinhas na jarra de suco Tang para o filho ir tomar e o homem que senta-se no sofá, abre o jornal com um sorriso, porque contratou um plano de previdência no banco Itaú. Antes claro, de desenhar um “i” no ar.
Isto é bastante crítico ou pode ser só papinho de solteiro também. Nem ligo.


Do Cinema


O que posso dizer de mim, É que estou focada e nem é tanto por que quero, em Cinema- mi vida, Ando desligando o tel na cara de uns marmanjos e omitindo minha atração por quem seria mais VIP, preocupada em não me distrair muito do meu cinema. Tá, papo de nerd... Estes dias, fui quase falar prum amigo que O que eu mais amava, já não tinha mais (my mom) e agora só precisava de cinema. Mas não consegui continuar, a voz embargou e tal...ok, isso soou dramático e vai ficar ainda mais porque nesta semana...


Etecéteramente


No bus, percebi que o que gosto mesmo é ser responsável pela felicidade dos outros. Na verdade pensava nisto, me questionando sobre se eu quero casar mesmo ou ter filhos. E concluí que não sei, mas admiti que seria alguém em que eu poderia ser totalmente responsável pela felicidade, não minha mas dele(s). É sério como conseguir um sorriso de alguém me realiza e não pretendo fazer comédia, mas é bom demais, mew.
Outra vez, um alguém disse que eu não quereria ter um filho mas sim um projeto filosófico em carne e osso, porque me atraio pela idéia de gerar alguém só pra perceber como um ser humano se desenvolve intelecto e etecéteramente... 


Honestidade


É com muita honestidade que contei essas coisas até agora, Porque ao escrever tento parecer despretensiosa e agradável (vixi, isso já é pretensão?!). Relutei muito tempo contra o padrão de escrita, apesar de amar as palavras, mas não gostava muito de atender à gramática, só quando o tiro saiu pela culatra, ao ler alguém que sem querer não utilizava corretamente o português, percebi que era melhor escrever obedecendo às regras já que eu queria comunicar, queria que “chegasse” ao interlocutor. Por isso gosto de sotaques, gírias e palavrões.

Gírias e Palavrões


... Porque os vejo como um protesto contra a linguagem formal, Além de ver também como muito criativo e sensitivo, é mais como personalizar a língua e também dá até pra designar épocas, né, bicho?
Fico atrás de saber como a gíria, o palavrão brotou, Será que simplesmente brota? Meus amigos e eu (claro) falamos, por exemplo: “Estorei no norte” que pra quem não tá por dentro de gírias é algo como: “arrasei”, só quando ouvi alguém com sotaque nordestino (sim, não nortista) supus que deve ter surgido pelas bandas de forró que estouram no norte ou alguém que faz e acontece por lá. Sei lá. Outra que não entendo, mas falo é “Se pá” que pode ser traduzido por “talvez”,” se der” tal...
“Se pá” – rs, vai ver que é pelo som, “pá” = um acontecimento. Realmente não sei. Há muitas outras...
Os palavrões são uma das melhores coisas que existem, eu nem uso muito, não desperdiço, mas é bom, não há nada que expresse melhor qualquer coisa que precise ser expressada com determinada emoção. Por ex, “Caralho”- Não me interessa o que vem a ser, mas o som é ótimo, tem um rasgo nas sílabas e no ato de xingar agente rasga ainda mais. “Porra”- é quase um suspiro silábico.
Não gosto é de “desgraça”, acho forte demais e o significado é visível, não gosto também de xingamentos, ou seja que não sejam palavrões, já que xingamento é frase e palavrão é palavra grande (Jura?) Os xingamentos ou “frasão” são só compostos por palavrões.
“Vai tomar no cu”, “Filho da puta” quase não é xingamento ou palavrão, é só preconceito, oras.
Quando eu digo algo, a pessoa por distração não entende e pergunta “O quê?” Respondo “CU, Entendeu agora porra caralho...” e por aí vai.
Trato os palavrões e sua turma como licença poética. Uma vez usei este pensamento como piada, mas ninguém riu, sei nem porque.

“Por quê?” e Porque Escrevo


Depois que ele disse, Ela perguntou:
“Por quê ?”
Ele respondeu com outra pergunta:
 “Isso é pergunta que se faça?”
Ué e qual é a pergunta que mais fazemos durante o dia todo? Há quatro tipos de “porquês” no português, que, aliás, é uma merda, Queria escrever tudo de um jeito só até em prova escolar, talvez da forma mais atual: “pq”. Até hoje não sei direito comé quié , sempre peço “ajuda aos universitários”, por isso assumo que não sei escrever nada mesmo, o que me atrai na escrita é fixar idéias no papel ou na atmosfera- que pode ser entendido como blogue e internet (realmente odeio a palavra ‘blogue’ e já disse mil vezes e não aceito o termo ‘blogosfera’) e nem demonstrar vasto conhecimento de literatura, variados assuntos ou língua portuguesa. É muito mais para experimentar todas essas maluquices flutuantes da minha cabeça agrupadas e significadas nestes desenhos chamados letras que formam as tais de Palavras.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

PROJETO : EU

Faço a mesma cara quando penso no progresso da humanidade e quando examino a quantidade de pontas duplas dos meus cabelos.

Posso usar uma palavra sofisticada e uma gíria bem medíocre na mesma frase.

Posso debater sobre a verdade do universo, mas ignoro decifrar as horas num relógio de ponteiro.

Zombo da cara do Freddy Krueger, Jason e Cia, mas choro só de pensar em ver um pirata.

Leio muitos livros e geralmente devoro seu conteúdo, mas odeio quando os capítulos são enumerados em algarismos romanos, é que sei só até o V.

Sorrio falando coisa séria e o inverso também acontece.

Tenho demasiadas intuições acertadas e as como e bebo no café da manhã.

Não falo coisa com coisa já  que as idéias me atropelam a língua.

Como minha mãe dizia “Essa menina quando ‘enfurna’ com uma coisa é só essa coisa e nada mais”.

Dialogo com palavras e elas me fazem rir, se são feias ou diferentes... “Fronha”, fronha, isso é palavra de se usar?

Gosto de ser assim, não dual, porque é muito pouco, não múltipla, porque não há tanto espaço, Mas qualquer coisa que não seja ser comum- meu pior dos medos. Escuto, mais que falo e se falo é mais do que devia, porém gosto da elegância de minhas observações e o que posso fazer com elas depois. Já disse que tenho mundos particulares, particular ares, feito de partículas deste projeto eu.

quinta-feira, 24 de março de 2011

MEDO (Resíduos no subconsciente)

“É bom se render ás coisas que se apresentam difíceis, para aprendermos de uma vez e elas não precisarem voltar ”



Digo com isto, que não é bom evitar encarar as coisas, Eu poderia dar muitos exemplos que já me aconteceram; Mas não é necessário.


Também é uma filosofia que eu possa ter adotado só para justificar meus desequilíbrios. Acho que nunca mais vou esquecer aquela aula com o rapaz pouca -telha sobre subconsciente, onde nós demos mil exemplos de pessoas que reprimiram seus sentimentos e anos mais tarde ficaram loucas, desorientadas e depressivas, de pessoas que temiam certas coisas e eram exatamente tais coisas que aconteceriam.


O meu medo acabou sendo este conjunto de medos.


E proíbo qualquer pensamento persistente, Me vejo louca, anos mais tarde, toda vez que me imagino relembrando das coisas que não fiz, que não consegui, que não disse. Brinco com meus amigos sobre isso, Já que sempre disse que invejo os loucos, Um deles vai ser um avô que fala baixo e sozinho olhando a paisagem, outra aquelas velhas que andam na rua xingando e constrangendo os outros e eu do tipo que dialoga sozinha, talvez eu vá dialogar todas aquelas conversas que não tive com quem quis, e virão tantos outros que vou me comportar da mesma maneira, assim minha loucura vai ser como um turbilhão... Alguém já viu um louco feliz? Um louco de devaneios reais? Um louco saudável... Eu ainda não vi, Vou me vender churros como o Chaves... Dizer as minhas falas e a do outro. ha ha


Tornou-se até uma obsessão conseguir, fazer e dizer tudo right now para não enlouquecer. Poderia até atribuir a juventude, mas não estou falando em carpe diem, estou falando que talvez eu preste muita atenção aos resíduos no meu subconsciente, este que não considero tão sub assim...


Dá-se aí a filosofia acima. Quando algo para mim se anuncia como difícil, perigoso ou errado, eu procuro consumar logo, para essa lição não precisar voltar, como história repetida de mil e uma noites. O caso é que nem sempre isto que se anuncia envolve só a mim, E aprendida a lição de aprender logo, passo a ter que aprender a aprender sozinha. Só não sei se dá certo. Acho que essa lição vai se repetir...


Damm it!

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

POEMA DA DESPEDIDA

" Não saberei nunca

dizer adeus


Afinal,

só os mortos sabem morrer


Resta ainda tudo,

só nós não podemos ser



Talvez o amor,

neste tempo,

seja ainda cedo



Não é este sossego

que eu queria,

este exílio de tudo,

esta solidão de todos



Agora

não resta de mim

o que seja meu

e quando tento

o magro invento de um sonho

todo o inferno me vem à boca



Nenhuma palavra

alcança o mundo, eu sei

Ainda assim,

escrevo. "



Mia Couto


"Mas mininu, não é ótimo quando desaprendemos a falar e escrever e achamos alguém que o faça para nós? "

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

(Algumas) Coisas de L.F.V


Já que falo sempre dele ... é bom lembrar as coisas que notei e que aprendi...(e amo!)

Palavras

 “Dezessete” -Acha a palavra bonita e usa muitas vezes em seus textos (entrevista)
“Sílfide” por que dá impressão que voa (a seguir, todas da crônica: “Pudor”)
“Sobrancelha” – “Esta não voa, mas paira no ar, como a neblina das manhãs até ser desmanchada pelo sol”
“Seborréia”- Acha horrível
“Trilhão” - Sobe como um balão desamarrado
“Otorrino” – cai no chão e corre para um canto
"Caos"- É uma palavra chiclé-balão.
“Lambo”- Palavra engraçada (da crônica “No elevador ”)
“Holisticamente”- Sofisticada (da crônica “Holisticamente”)
Esbaforido”- “Grande Palavra”, por ele mesmo. ( em “A entrega”)
“Jogging” – não gosta desta palavra. (em “Na corrida”)


Dizeres

“Saudavelmente hipócritas “ (em “Champignons Recheados”)
“Vamos e Venhamos” (“Mike Magui” e outras)
“Quem vê cara, Vê cueca” (em “O primeiro homem”)
“Quem vê cueca, vê coração” (em “Cueca”)
Chama atenção para “Preâmbulos” - Quem o usa no que se segue desmentirá o preâmbulo, (...) Quem o usa pelo menos reconhece que vai destoar do que seria um pensamento normal (...)Precisa se precaver e fornecer uma espécie de salvo-conduto para sua opinião extrema.”(em “Preâmbulos”)
“Gente-casa ou Gente- apartamento” (vide: “Gente casa”)


Personalidades
(Não lembro em que crônicas citados :P)

Giacometti (escultor e pintor suíço)
Henry Moore (escultor britânico)
Malba Tahan (professor de matemática brasileiro)
Rainer Maria Rilke (poeta alemão)
Rick Blaine (personagem de "Casablanca")
Maurice Chevalier (escultor britânico)
Fukuyama (filósofo e economista)
Chivas Regal (O Chivas Regal dos uísques) genial!

Tipo de Mulheres
(Pela crônica “Primavera”)
As...
Balzaquianas, Alencarianas, Amadianas, Goethianas, Sthendálicas, Dostoievskianas, Tolstóicas, Kafkianas,Lawerencina, Ibsenética, Flaubertálica, Nabokoveta e “lês faux maigres”

O que pediria ao Diabo
(em “O que eu pediria ao Diabo”)
  • Que a mala seja sempre a primeira a aparecer na esteira do aeroporto.
  • Poder abrir o celofone que envolve os CDs usando só a unha
  • Nunca mais morder cartilagem de galinha, frango ou galeto
  • Vaga em estacionamento do shopping.                                    

Músicas
“Tea for two” (Doris Day)
“Torna a sorriento” (composta por Ernesto De Curtis)
“As times goes bye” (by Louis Amstrong, trilha de "Casablanca")(citado em “Noites do Bogart”, “Rick Blaine”,"As time goes bye”)


Uma coisa que odeio em Luís Fernando Veríssimo: Ter que escrever seu nome todo, ou usar a abreviatura.Não dá para falar só Luís Fernando,pois assim fica difícil reconhecer, Fernando Veríssimo é esquisito e só Veríssimo, causa dúvida se é o pai ou o filho. Mas é só isso. De resto, amo.

sábado, 29 de janeiro de 2011

SOCIEDADE DOS POETAS VIVOS


Me lembrei de quando eu era mais nova e um amigo do meu pai me perguntou que diacho de música eu gostava. Respondi que música tipo a que passava na Nova FM... De Rock clássico sempre fui afim, Felizmente quando criança ouvi bastante um EP dos Rolling Stones (Harlem Shuffle) que meu pai tinha, apesar de ele gostar de sertanejo, ser cantor e ter tido várias duplas. Pois é.


As músicas que passavam na Nova FM, Concluí que eram “poemas cantados”, Chamados de MPB, Música Popular Brasileira, Não me convenci com esse nome e até hoje não gosto.


Para parecer certo, Diz-se que MPB abrange vários estilos musicais... Mas estas músicas populares brasileiras, não são tão populares assim e ás vezes nem tão brasileira. Ainda assim são poemas cantados e sambantes.

Música popular brasileira, bem se sabe, é forró, sertanejo, funk, pagode e por aí vai, por questões “demográficas”. Será que já fizeram censo para gosto musical? Quantos por cento de brasileiros ouvem “MPB”?
Esse gênero devia se chamar, Só porque eu quero “SPV” Sociedade dos Poetas Vivos. (é que sempre acho que tudo deveria ser título, como em filme, até gente deveria ter título, qual seria o seu?)
 
Quantos poetas vivem, cantam e dançam entre nós?! Já pensou que vai ser orgulhoso de ter sido contemporâneo de Chico, Caetano, Djavan?! Estão todos vivos ... Sociedade dos Poetas Vivos, claro que há os membros mortos e não menos célebres, muito pelo contrário, Elis, Tom , Vinicius... Viveram, vivem e serão eternamente eternos. Música tem esse poder de eternidade (é que moram na atmosfera).


Não há lugar mais abastado de poetas como a "mpb" ou "spv". 

A música se é poesia vestido de samba subindo a ladeira bate no corpo de quem ouve, este absorve palavras (e lindas) e elas adentram os sentidos  e injetam saber e viver. Viver e saber.

Não só samba, mas tudo que já andou abrangendo a “MPB”.
 
Chamar uma música de “minha” é altamente sublime se falamos de poesia. Do melhor jeitinho brasileiro de ser, sussurrando com voz mansa, com ritmo ligeiro do devagarinho, arrastando o som, dedilhando as cordas do violão, com coisa de quem não anda rápido para não perder a paisagem da esquerda ou da direita, das imagens no “pulo do gato” (do jeito que gosto de significar) de quem viu, viu, quem não viu, não musicou, poetizou e fez fruir.


A sociedade dos poetas vivos taí, sempre esteve, principalmente quando fudidos com a ditadura teciam músicas sorrateiramente, verdades e arte ficam atrás das palavras, mas revelavam-se nos acordes, Segredinho... Quem ouviu, ouviu, no pulo do gato, poesia se desvencilhando, musicando na era da hipocrisia.

A sociedade ainda existe, sempre existirá. O ridículo também não acabou. Só mudou de cor. Mas eles estão aí e é ótimo observar e fazer parte desta sociedade e atestar a Vivacidade Poética.

Só para ilustrar:

DIGA NÃO AS DROGAS

Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e um amigo chegou com aquele papo de "experimenta, depois, quando você quiser, é só parar..." e eu fui na dele. Primeiro ele me ofereceu coisa leve, disse que era de "raiz", "natural" , da terra", que não fazia mal, e me deu um inofensivo disco do "Chitãozinho e Xororó" e em seguida um do "Leandro e Leonardo". Achei legal, coisa bem brasileira; mas a parada foi ficando mais pesada, o consumo cada vez mais freqüente, comecei a chamar todo mundo de "Amigo" e acabei comprando pela primeira vez.

Lembro que cheguei na loja e pedi: - Me dá um CD do Zezé de Camargo e Luciano. Era o princípio de tudo! Logo resolvi experimentar algo diferente e ele me ofereceu um CD de Axé. Ele dizia que era para relaxar; sabe, coisa leve... "Banda Eva", "Cheiro de Amor", "Netinho", etc. Com o tempo, meu amigo foi oferecendo coisas piores: "É o Tchan", "Companhia do Pagode", "Asa de Águia" e muito mais. Após o uso contínuo eu já não queria mais saber de coisas leves, eu queria algo mais pesado, mais desafiador, que me fizesse mexer a bunda como eu nunca havia mexido antes, então, meu "amigo" me deu o que eu queria, um Cd do "Harmonia do Samba". Minha bunda passou a ser o centro da minha vida, minha razão de existir. Eu pensava por ela, respirava por ela, vivia por ela! Mas, depois de muito tempo de consumo, a droga perde efeito, e você começa a querer cada vez mais, mais, mais . . . Comecei a freqüentar o submundo e correr atrás das paradas. Foi a partir daí que começou a minha decadência. Fui ao show de encontro dos grupos "Karametade" e "Só pra Contrariar", e até comprei a Caras que tinha o "Rodriguinho" na capa.

Quando dei por mim, já estava com o cabelo pintado de loiro, minha mão tinha crescido muito em função do pandeiro, meus polegares já não se mexiam por eu passar o tempo todo fazendo sinais de positivo. Não deu outra: entrei para um grupo de Pagode. Enquanto vários outros viciados cantavam uma "música" que não dizia nada, eu e mais 12 infelizes dançávamos alguns passinhos ensaiados, sorriamos fazíamos sinais combinados. Lembro-me de um dia quando entrei nas lojas Americanas e pedi a coletânea "As Melhores do Molejão". Foi terrível!! Eu já não pensava mais!! Meu senso crítico havia sido dissolvido pelas rimas "miseráveis" e letras pouco arrojadas. Meu cérebro estava travado, não pensava em mais nada. Mas a fase negra ainda estava por vir. Cheguei ao fundo do poço, no limiar da condição humana, quando comecei a escutar "Popozudas", "Bondes", "Tigrões", "Motinhas" e "Tapinhas". Comecei a ter delírios, a dizer coisas sem sentido. Quando saia a noite para as festas pedia tapas na cara e fazia gestos obscenos. Fui cercado por outros drogados, usuários das drogas mais estranhas; uns nobres queriam me mostrar o "caminho das pedras", outros extremistas preferiam o "caminho dos templos". Minha fraqueza era tanta que estive próximo de sucumbir aos radicais e ser dominado pela droga mais poderosa do mercado: a droga limpa.

Hoje estou internado em uma clínica. Meus verdadeiros amigos fizeram única coisa que poderiam ter feito por mim. Meu tratamento está sendo muito duro: doses cavalares de Rock, MPB, Progressivo e Blues. Mas o meu médico falou que é possível que tenham que recorrer ao Jazz e até mesmo a Mozart e Bach. Queria aproveitar a oportunidade e aconselhar as pessoas a não se entregarem a esse tipo de droga. Os traficantes só pensam no dinheiro. Eles não se preocupam com a sua saúde, por isso tapam sua visão para as coisas boas e te oferecem drogas.

Se você não reagir, vai acabar drogado: alienado, inculto, manobrável, consumível, descartável e distante; vai perder as referências e definhar mentalmente.

Em vez de encher cabeça com porcaria, pratique esportes e, na dúvida, se não puder distinguir o que é droga ou não, faça o seguinte:

* Não ligue a TV no domingo à tarde;
* Não escute nada qu e venha de Goiânia ou do interior de São Paulo;
* Não entre em carros com adesivos "Fui.....";
* Se te oferecerem um CD, procure saber se o indivíduo foi ao programa da Hebe ou ao Sábado do Gugu;
* Mulheres gritando histericamente são outro indício;
* Não compre um CD que tenha mais de 6 pessoas na capa;
* Não vá a shows em que os suspeitos façam passos ensaiados;
* Não compre nenhum CD em que a capa tenha nuvens ao fundo;
* Não compre nenhum CD que tenha vendido mais de um milhão de cópias no
Brasil; e
* Não escute nada em que o autor não consiga uma concordância verbal mínima.

Mas principalmente, duvide de tudo e de todos.
A vida é bela!!!! Eu sei que você consegue!!! Diga não às drogas!!
Luis Fernando Veríssimo

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Cinema, Cineminha, Vamos todos Cinemar!

 2011-Dentre as coisas que prometi, a maior parte delas tem a ver com cinema, Ás vezes tento falar de cinema sem poematizar, ou pelo menos não babar tanto pela arte, falar tecnicamente ou teoricamente com o pouquíssimo conhecimento que tenho. Mas covenhamos que para isso, já nos fazem dormir, Ismail, Bernadet, Bazin e tantos outros. Também não sei a quem interessa suspiros de uma jovem entusiasta. Mas foda-se, o blogue é meu e escrevo o que quiser e como quiser (e com palavrões).

Venho até aqui, justamente porque minha cabeça fervilha com tantas idéias e planos (planos mesmo, metas, não o geral, fechado ou médio) Não sei nem por onde começar. O doc? (Não sei se tenho as manhas) O longa? (Vou precisar de uns milhões pra ele) O curta? (Editais...). Também não me sinto mal em fazer exibições de filmes meus ou de amigos em ongs em São Paulo, Cines Comunidades, Cine Itinerário e etc... é legal propagar cinema e cuidar para que o hábito de ir ver filme em tela grande seja o mais comum possível nas comunidades pobres ou em cidades pequenas (como a de meu pai em Minas Gerais, que até hoje não sabe o que é um cinema).

Cinema tem que deixar de ser a carne de boi do filme Marvada Carne- André Klotzel (pronto, mais um paralelo). Aliás, nem mais coitadismo dos realizadores, de que cinema é arte para rico e etc, Nessa "Nova Era" (até quando será chamada de "nova"?) onde há tantos recursos, principalmente digitais, não há desculpa para não cinemar, acho que deve faltar só uma boa vontade de propagar a Arte, mas arte mesmo, não um registro de algo que tenha graça só pra quem faz ou simplesmente não endereça nenhum resultado a quem vê. Talvez arte ,( ouso tentar compreendê-la) seja algo que no seu amago haja algo que há em todas as pessoas e assim, de algum modo elas se identificam, se entendem por gente e haja uma conexão de idéias, seja um espelho de idéias, onde se possa pintar um pássaro e alguém enxergar um dinossauro e isso lhe fizer tanto sentido que ela passa a prestar mais atenção ao seu interior e desenvolver mais suas capacidades psícas.

Cinema e qualquer arte deve ter pelo menos esta função, Há quem diga que arte não é "utilizatória", eu duvido muito. Ou que só serve para entreter, isso é difícil, por acaso somos bebês em um cercado colorido de prézinho, esperando que as mamães voltem para nos buscar? 
Se for, vamos brincar, então... de cinema. Chamem seus amigos, faça uma roda e girando cantem:
"Cinema, Cineminha,Vamos todos Cinemar"
La ra ra la ra ra

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

ERA UMA VEZ UM MENINO...

 Para Tawane,Daniel e Nara, Agora escrito:

Eu vou contar a história de um menino...

Era uma vez um menino
que acreditava que as nuvens tinham vida
que não lembrava se sonhou ou se esteve numa bolha de sabão
que não sabia calçar os sapatos
que mentia que havia escovado os dentes, não por porquice, mas pelo bel- prazer
que disse já ter passado uma jornada noturna com um saci
e que colocou um dente do lobisomem debaixo do travesseiro, a fada deste departamento
lhe deu um castelo
que viajou num balão feito de guarda-chuva
que andava com o espelho segurado na altura do peito virado para cima e servia-lhe deGPS
que escreveu sobre todas sua viagens aos pobres adultos..
Não acreditaram nele, Até rasgaram as páginas do livro, Disseram-lhe que já era grande demais pra inventar histórias.
O menino trancou-se no castelo, estorou a bolha,ficou de mal do saci, rasgou o  balão, quebrou o espelho e 
Era uma vez um menino...



"-E nem era mentira né,Bruninha?"
Daniel

óhnn que fofo!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

"Agora aqui está as Resoluções"- Mr.Hat por Bruna Therolly

Eu que não sabia muito bem, o que prometer para o ano novo. Dei uma espiada na lista do meu querido Mr. Hat, Espero que possa inspirá-los também:


"Sou um fã de articulação positiva. Para mim, este é um passo além do pensamento positivo. É colocar o pensamento positivo em ação - a fazer - em palavras.

Todo ano novo eu resolvo fazer algo novo ou diferente com a minha vida. Algo grandioso. Algo transformador. Às vezes, é para continuar fazendo algo que adoro, mas muitas vezes é uma nova invenção de algum tipo.
No ano passado, o tema principal foi o ativismo e em 2010 certamente eu tenho meus pés molhados, literalmente, através da Região do Lago Volta, no Gana, aprendendo sobre o trabalho de libertar os escravos - e desfilar por Nova Orleans, promovendo um futuro verde após a aprendizagem sobre o desastre do derramamento de óleo e cobrir-se no Golfo.


Este ano, eu resolvi me tornar Novo no Agora. "Novo", muitas vezes refere-se a um tipo ou qualidade de algo, e tende a se referir a um dia, passados ou futuros. Agora, porém, sempre significa AGORA. Nesta tradição, eu começo a comemorar cedo a dizer: Happy Now Year. ("Feliz ano Agora")


"Novo" geralmente significa que algo é feito recentemente. Agora, significa que ele é feito e é isso. É pegar ou largar. Eu penso que usando Agora em vez de Novo, podemos reduzir o consumo. Por exemplo, eu preciso de um novo computador torna-se, eu preciso de um computador agora. Um computador agora já existe - é, portanto, provável pré-propriedade, e ainda tão poderoso. Um novo computador requer energia e dinheiro para fabricá-lo e o mesmo tempo para obtê-lo todo o caminho até meu estúdio. (Estou falando de uma experiência real btw. Meu computador pelos padrões de hoje é antigo. Assim é a minha tecnologia de gravação. Mas isso não me engana. Ele está trabalhando agora. Então, eu estou aderindo a ela!)


Em 2011, eu tenho vontade de reparação, reutilização, reciclagem e manutenção.


Usando as palavras: "Eu faço" ao invés de "eu acho" totalmente pode aliviar a sua carga "sobre o número de falhas de comunicação em sua vida. "Eu acho que" toma posse e é pretensioso. "Eu faço" é muito mais divertido e é um lembrete de como essa versão agora da experiência de vida é tudo feito de qualquer maneira.


Em 2011, eu resolvi não pensar. (Haha.)


Lembrando que tocar é outra coisa. Em 2010 eu confundi a minha criança interior, referindo-se a minha atuação no trabalho, que é uma bobagem. Você não pode trabalhar a música.
Em 2011, eu resolvi tocar a música.


Recentemente, alguns amigos estavam em  lua de mel / férias. Chamavam-lhe o seu Playcation. Bravo. Não diga mais nada.


Tantas vezes dizemos: eu tenho que ir para o trabalho. Eu tenho que pegar alguns mantimentos. Eu tenho que chamar assim e assim. Fazendo uma mudança consciente e usando as palavras "CONSIGO" pode mudar tudo. "Nós temos que ir para o trabalho". Nós CONSEGUIMOS  pegar alguns mantimentos. Nós podemos chamar assim e assim. Eu ouvi meu pai dizer, "eu tenho que ir buscar a sua avó", mas eu sei o quanto ele a ama o que ele pode fazê-lo. Eu vou incentivá-lo a dizer," eu consigo ir ver sua avó". Logo, nós não podemos ter essa honra.

 
Em 2011, eu resolvi ser mágico.


Que outras formas de articulação positiva e híbridos, palavra peculiar que você poderia acrescentar à linguagem em constante evolução, que se torna nossa experiência de vida?


Em 2011, eu resolvi ser um grande ouvinte."

Oi, Tudo Bem?


Oi, Tudo Bem?

Eu não sei, viu...
Ando pensando demais...
Ando amando demais...
Ando sonhando demais...
Ando reticênciando  demais...
Ando “ando” demais...
Ando lembrando demais...
Ando escrevendo demais...
Ando suspirando demais...
Ando criticando demais...
Ando lendo demais...
Ando ouvindo música demais...
Ando dormindo demais...
Ando filmando filmes que não são meus
Demais... 
Ando vendo coisas demais e não me interessando por nada.
Ando por aí, no mesmo lugar de onde vim.
Nenhum.
Ando sem saber o que é tudo bem, ando sem querer todo este bem.
Desculpe toda esta resposta.

E você, Tudo bem?

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Lavoura Arcaica

cena do filme "Lavoura Arcaica" do glorioso Luiz Fernando Carvalho- Inspiração deste texto.

Eu que nunca soube escrever e nem falar...
Eu que nunca fiz poesia, só escondi minhas verdades atrás das letras...
Eu que muito cedo aprendi que quem viaja para procurar um tesouro, acaba encontrando-o no lugar de onde partiu.
Eu que não sei nada sobre o mundo
Eu que vim de lugar nenhum e cultivo uma flor

Eu que coloco títulos nos outros, como se gente fosse filme...
Eu que vivo numa pressa estúpida...
Eu que brinco de amar...
Eu que choro por dentro toda mágoa e dôo minha sensibilidade a arte que escolhi
Eu que tenho olhos de menina e enxergo menino nos olhos dos outros

Eu que vivo em dois mundos. O superficial e o não-superficial
Eu que não sei em que mundo estou. Oscilo sem querer...
Eu que justifico o culto do obsceno em meia luz e equilíbrio
Eu que me autoflagelo com sentimentos nobres a plebeus
Eu que cuspo na face daqueles que fazem os olhos brilharem a meu reflexo

Eu que com o mesmo carinho que danço os dedos no verde, Seguro forte a folha e rasgo
Eu que não cumpro promessas
Eu que tenho um estranho jeito de ser só
Eu que beijo a luz do sol e adormeço no escuro do céu
Eu que não sei dizer sim nem não

Eu que estou em um lugar alto demais, demais, demais
E de nada sei, nada, nada, nada
Eu que escondo um baú
Eu que penso em ser fútil, porque o gosto do sabor do saber é amargo em instância
Eu que sorrateiramente teço histórias que não são minhas
Eu que me desequilibro na linha tênue. Ora lá, ora cá...

Eu que escrevo demais, porque não sei falar e me calo demais, porque não sei escrever

Ouso...

Ouso dizer que não existe partida e nem lugar para onde se vai
Não digo que não há ponto de partida e nem de chegada
Observe, digo que não existe partida e nem lugar para onde se vai, Totalmente distinto
Esses dois lugares que estou dizendo. É ilusão. Irmã do tempo. Ilusão.

Movimento é a pena de Deus por nós, que pensamos ser pássaros
O traço divide o real do irreal
A tinta ilustra com cor a doce ilusão
O sopro passeia por nossos poros e diz ser vida, se se cala, se morre.
O sorriso é a luz que acende o suspiro do suor de prazer

O que desata é a música dos ventos e o que amarra faz acorde com dois corações que orquestram juntos e regem o som da melodia perfeita
As folhas secas são tapetes invejosos por pés que abrem caminhos
As mãos sempre pensaram que eram Deus e dançam com a atmosfera com autoridade
A água traz consigo a austeridade de saciar a vida e reluta em se doar, quando o faz, toma posse de corpos esguios

Os cabelos sempre serviram para esconder a vergonha, enxugar o suor, chamar o pecado e embalar o sono dos sozinhos
Os tecidos que são plenos só se tocados e divinos se rasgados, mostram caminhos e brincam de serem corpos
O mar é grande e as lágrimas são miniaturas de mar, as lágrimas só são pequenas para lembrar que também somos

O abraço é o desejo de ser um, e é a partida e o lugar para onde se vai

É o choque de saber-se imóvel e pleno.

Ninguém precisa partir, ninguém está em lugar nenhum.

Eu que não cumpro promessas, digo que não vou mais dedicar-lhe palavras e dificilmente reler as que já dediquei
E nem vou chamar-lhe de menino e nem sonhar com noites de meia-luz e meias palavras... Prometo que meus olhos se contentarão com o chão e os seus com a ventania de acreditar-se completo
Continuo aqui, Você também
Ninguém parte, ninguém está em lugar nenhum
O choque do abraço é só para os sábios
E eu que nunca soube escrever e nem falar...

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Viéses e Vertentes


Eu tenho que aprender muitas coisas.
Óbvio, eu sei.
Carrego no peito uma sensação ruim, mas já escrevi sobre ela intitulando “Você sabe o que é ser o universo todo?”
Hoje, Me dei conta de que preciso aprender muitas coisas e não sei por onde começar.
Preciso aprender a falar de mim e se referir a mim dizendo: eu.
É muito difícil que eu realize esta façanha e você nem imagina a força que estou gastando pra escrever essas linhas.
Acho que vou precisar  escrever em um post-it “falar de mim” repetida vezes.
Hoje entraram em conflito com o que sou  ou apresento ser. Isso foi difícil de lidar, Eu deveria agir como sempre ajo, antes de estourar: sorrio. Hoje eu escolhi estourar.
É difícil lidar com pessoas que acham que eu sou uma coisa só, que não tenho viéses, vertentes e coração. É que sou singular ! (Não estou me elogiando, estou me classificando). Se assim sou classificada como posso me encaixar em qualquer parte, em qualquer grupo?
Geralmente ajo sempre com uma das partes que tenho, mas não completamente.
Espero que você,( Digo você, hoje excepcionalmente a quem estiver lendo e não ao homem que sempre me dirijo) esteja entendendo que não me finjo de outra pessoa, mas realmente não me mostro completamente, porque é balela dizer isto, ninguém se mostra completamente.
Hoje meus viéses e vertentes estavam nos lugares errados.
Mas... Por causa do menino que mora nos olhos também, Lhe tenho saudade e essa saudade pré anuncia que um dia isso será só vazio e ele não estará mais aqui e não pode mais decidir meu dia e humor. Mesmo que seu corpo converse com o meu em silêncio e á distância, sinto saudade e não posso consumá-la.  Um dia ele vai partir e eu preciso urgente aprender a ficar só e só de mim também, me canso muito de mim.
Por isso disse que preciso aprender muitas coisas! Tenho manias de viver, mundos e fundos particulares, viéses, vertentes, corações, humores e a porra toda, não dou conta disso tudo, vezes ou outra tô tentando me esvaziar, mas sou apegada a elas.
Se pelo menos o menino ficasse pra sempre e me ajudasse com essa bagagem eu não me preocuparia tanto, No momento parece que só ele tem a força de suportá-la. Mas não merece, no sentido de ser bom demais pra mim. É melhor ficar no seu mundinho de facilidades mesmo . Hoje pela primeira vez o condenei, dizendo que não sabe o que é amor e nunca vai saber, amor não é facilmente se encontrar no outro e se combinarem, só porque fizeram a mesma faculdade, gostam da mesmas músicas e gostam de postar sobre tal assunto no facebook. Isso é egoísmo, é ver neste outro seu reflexo , achar-se belo demais e ficar a todo momento buscando adereços para se acreditar mais belo. Amar, se não é (e nunca é completamente, só um viés) deve ser: saber-se desconhecido e no outro conhecer-se mais e torna-se pleno, não sozinho, mas juntos. Não uma dupla de egoístas e sim uma dupla de sábios.
Me lembrei de um texto que não postei neste lugar que odeio o nome, havia apenas uma semana deste amor, eu disse tantas coisas fortes, acertei muitas e fui sincera demais. Falei “eu” ,”você” e “nós dois” com tanta propriedade que tive medo de sua repercussão.
Preciso aprender a chorar, Descobrir onde fica o baú perdido de lágrimas empedradas.
Preciso aprender muitas coisas e não devo me ater nisto ou me limito.
Preciso aprender...

Imagem:Eduoard Manet

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Escritores Amantes


Ele pôs a caneta na mesa, Como se matasse o último gole de uísque e batesse o copo, Levantou-se.
Ela o chamou pelo nome, Mas não continuou.
- “_______  ...”
Ele voltou-se para ela e perguntou o que desejava.
Ela disse, timidamente:
- Nada.
Ele exigiu resposta e abaixou a sua altura , que estava sentada, pegando em suas mãos, pediu  mais uma vez para que dissesse.
Ela negou, Rabiscava um papel.
Ele disse:
- Não gosto muito de reticências. ( Reclama)
- E nem de pontos finais. (Acrescenta)
- É porque nosso caso é interrogação. ( Explica)
- As pessoas  vêem como exclamação. (Contrapõe)
- Você sabe que é difícil. (Lamenta)
- Então que seja pelo menos vírgula. (Solicita)
-Você quer ser vírgula? (Pergunta)
- Se não posso ser parágrafo e letra maiúscula... (Sugere)
- Em nosso caso, Você está mais para parênteses. (Observa)
- Nem me diz com propriedade, sou aspas. (Aponta)
-Você sabe a razão, Preciso lhe manter em colchetes. (Reforça)
-É um covarde. Trai a si mesmo. (Provoca)
- Sabe que sonho em dizer “Ponto final, na outra linha...” (Expõe)
-Mas fica em eternos travessões e bla  bla bla!  (Exclama)
- Te quero.
- Entre aspas,em letra minúscula, sem ponto final, com vírgulas, em colchetes, interrogação,exclamação e com reticências. (Ataca)... O que eu ia dizer é que Te amo. (Explode)
Vira-se de costas.
 - Ótimo, Vamos Publicar este! (Afirma). 
Sorriem.


Pintura da minha musa inspiradora- Josephine Wall
Visite sua página: http://www.josephinewall.co.uk


domingo, 31 de outubro de 2010

Das Coisas que Gosto e Não Gosto Muito


Eu quero que você saiba que escrevo isso, só por causa da Carta Que Você Nunca Vai Ler, viu?
Odeio essa coisas supérfluas de nós humanos brasileiros,orkuteiros e blogueiros. (palavras horríveis,não nasceram para serem palavras). Enfim,Coisas, que se escrevo é porque gosto de pensar nelas, mas quando chego no porque, me canso, pois não entendo.

Das coisas que gosto, o que lhe pedi na tal carta é que me escreva uma. Acho que não há nada no Universo que me faça mais feliz quanto cartas,sinceras, amigas, apaixonadas. Me escreva uma carta!

Ser elogiada por uma criança, Ai é lindo demais, As crianças são mais puras e se me chamam linda ou me sorriem na rua, ganho o dia!

Adoro quando as coisas andam rápido, Quase sorrio abertamente,quando vejo as catracas do metrô sendo liberadas rapidamente, Quando chego no ponto e meu ônibus logo em seguida.

Quando pergunto algo a alguém e ela responde prontamente. É muito bom.

Café, Estou tentando não falar coisas materiais, ou clichê, como música, família ou cinema (embora...) Mas café! Não é pelo “material” e sim pela sensação de alívio e não só (se não vou ter que dizer: cachaça, ’maria’,vodca, fazer xixi, etc.) Mas beber café é muito bom é transcendental. Amo café!

Abrir um livro novo! É bom demais, o cheiro, o papel, as letras, o convite, é muito bom, Parece quando se chega na casa de um amigo,que lhe esperava ansioso, com banquete e tudo! Amo livro novo!

Ter uma idéia nova,Quem teve a idéia de significar a idéia com uma lâmpada acima da cabeça, acertou! Pois parece isso mesmo! Ou passo a achar que idéia é isso pelo símbolo? Enfim, Amo ter idéia nova.

Achar algo esquecido. Todo mundo sabe a sensação de achar algo que não se lembrava mais, dinheiro então, nem se fala.

Agora das coisas que não gosto muito ou odeio.

Em 1º lugar é procurar coisas, Odeio procurar qualquer coisa, normalmente o que se usa diariamente, isqueiro, caneta, tesoura, chinelo. Odeio ter que procurar essas coisas, Me irrito muito, Viro outra pessoa, Há situações em que minha pressão abaixa. Sério!

A 2ª coisa mais irritante do mundo para mim, É que me chamem.
“Ô Bruna!” Ah, eu quero morrer! O pior é que é é inevitável, Em uma distância, como se faz? É o jeito, Mas respiro fundo e respondo.

3ª coisa, Que me joguem algo para eu pegar, Fizeram isto esta semana, Jogaram revistas no chão para pegarmos. No chão?! É muita falta de respeito! É  odiante. Não peguei. Das coisas que se odeia,muito é pelo ego.

4ª coisa, Que me expliquem algo, intercalando com a perguntinha “entendeu?” Isso é muito irritante. Aconteceu isso também esta semana (talvez por isto,isto aqui.) Uma criaturinha me respondeu uma pergunta (obviously) com entendeu’s ? Eu não vi mais nada ao redor, Acionou o botão KILLER do meu cérebro, Eu me vi apertando seu pescoço, Mas quando ela terminou, Respirei e permaneci sentada.

5ª Que me chamem de “querida”,Em geral soa falso e é coisa de perua.

6ª Ainda há barulhos irritantes, Mas não sei explicá-los. Para informação, Tenho uns % a menos de audição no ouvido direito, Então não ouço bem. Então qualquer barulhinho pertinente me irrita física e psicologicamente. A algum tempo, meu primo tecladista estudava, E eu surgi no seu quarto,parecendo o louco da caverna, arrancando todos os cabos da tomada e ainda me sentei no chão, tamanho era o alívio.

7ª Que repitam uma coisa,várias vezes, A Rosana é perita nisso, Repete uma mesma coisa cem vezes em um minuto. Eu reajo mais ou menos como o Kiko do Chaves. Sabe né? (Cale-se,cale-se,cale-se ,se não me deixa looouco!)

8ª Que falem enquanto estou pensando. (É. É complexo, não vou nem explicar.)

9ª Quando eu explico algo e a pessoa responde com que eu acabei de falar. (Isso é universal).

10ª Quando vou abrir confiante a garrafa de café e está vazia.

Its all.